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"O Talentoso Ripley" emenda terceira temporada após sucesso de público e crítica

Publicada em: 03/06/2026 15:15 -

Espetáculo estrelado por Hugo Bonèmer e grande elenco chega à Sede da Cia dos Atores, na Escadaria Selarón, para curta temporada após dois meses de casas lotadas.

 

Foto: Peter Wrede

 

Após passagens de destaque pelo Teatro Gláucio Gill e pela Casa de Cultura Laura Alvim, "O Talentoso Ripley" retorna ao Rio de Janeiro para uma nova temporada. Desta vez, o espetáculo ocupa a Sede da Cia dos Atores, na Escadaria Selarón, na Lapa, com cinco apresentações especiais nos dias 5, 6, 7, 12 e 15 de junho, sempre às 19h. Os ingressos custam R$80 (inteira) e R$40 (meia-entrada) e estão à venda pela Sympla. Com sessões esgotadas e forte repercussão de público e crítica ao longo de sua trajetória na cidade, a produção vem se consolidando como uma das experiências mais instigantes da cena carioca recente, aproximando o público de um universo onde charme, manipulação e obsessão caminham lado a lado. 

 

Baseada no romance de Patricia Highsmith e na adaptação teatral de Phyllis Nagy, em sua primeira versão em português, a montagem produzida pela Hmm-Hum e Gran Cine Bardot desloca o foco da ação para a dimensão psicológica da narrativa e organiza a cena a partir do ponto de vista de Tom Ripley, estruturando a experiência do espectador nesse território instável, em que percepção, relato e verdade se sobrepõem.

 

O espetáculo é estrelado por Hugo Bonèmer, que também assina a direção ao lado de Kamilla Rufino e conduz o projeto como produtor em um processo independente. Esse acúmulo de funções se reflete diretamente na encenação, construída a partir de um eixo que conecta atuação, linguagem e concepção, com foco na investigação das zonas mais ambíguas do personagem e das relações que o cercam. Segundo Bonèmer, a narrativa se constrói a partir de um ponto de vista que busca convencer o espectador a validar as escolhas do personagem, por mais extremas que sejam.

 

Além de Hugo Bonèmer, o elenco conta com Cassio Pandolfh, como Herbert e o Tenente Roverini, Francisco Paz, como Rickie, Guilhermina Libanio, como Marge e Sophia, João Fernandes, como Marc e Freddie, Laura Gabriela, como Emily e Tia Dottie, e Tom Nader, como Red, Fausto e Silvio, em um jogo de revezamento de personagens que atravessa a narrativa. O recurso, presente na adaptação de Nagy, ganha protagonismo na montagem ao reforçar o deslocamento constante de identidades que estrutura a obra.

 

A dramaturgia de Nagy, escrita antes da adaptação cinematográfica dos anos 1990, reposiciona a narrativa ao expandir a presença dos personagens femininos e aprofundar suas camadas dramáticas. Na leitura da montagem, esse deslocamento se traduz em relações mais tensionadas e em uma reorganização do olhar do público sobre a história, ampliando as forças que atravessam o percurso do protagonista.

 

A direção se constrói a partir de uma partitura física marcada por imagens simbólicas e pela transição entre diferentes registros de atuação, que atravessam a farsa, o naturalismo e o realismo fantástico. Nesse percurso, a encenação se aproxima de uma lógica fragmentada, como se o público acompanhasse uma espécie de transmissão conduzida pelo próprio protagonista, que compartilha suas versões e pensamentos diretamente com a plateia.

 

Esse desenho se materializa também na cenografia, que tem sido um dos elementos mais comentados da montagem. Com cenário assinado por Hugo Bonèmer, iluminação de Renato Machado e figurinos de Sergio Medina Paranhos e Joe Nicolay, o espetáculo constrói uma ambiência visual que dialoga diretamente com a instabilidade da narrativa. Entre as escolhas, destaca-se a presença de estruturas formadas por sacos de água suspensos sobre o palco, criando uma imagem de forte carga simbólica que atravessa toda a encenação. Ao mesmo tempo em que remete a um ambiente sofisticado e a uma atmosfera europeia, o recurso estabelece uma tensão constante e traduz, em cena, a sensação de ameaça que acompanha o personagem.

 

A encenação se constrói ainda a partir do encontro entre diferentes referências, que vão do suspense clássico ao imaginário contemporâneo do true crime, mantendo como base a investigação psicológica proposta pelo material original. Nesse percurso, o espetáculo se afasta de uma leitura linear para construir um campo de percepções em constante deslocamento, no qual o público é conduzido por uma lógica que se sustenta, ainda que moralmente instável. A trilha sonora original, assinada por Tauã de Lorena em parceria com Laura Gabriela, reforça essa atmosfera ao desenvolver variações a partir de um mesmo tema melódico, criando uma sensação de familiaridade difusa que atravessa toda a experiência.

 

Mais do que recontar uma história já conhecida, a montagem propõe uma reflexão sobre desejo, mobilidade social e construção de imagem, aproximando a trajetória do protagonista de questões contemporâneas ligadas à performance e à necessidade de reconhecimento. Em cena, essa investigação se traduz em uma experiência direta, em que o público é conduzido pela lógica do personagem até perceber que já não observa de fora, mas está implicado. É nesse deslocamento, entre identificação e desconforto, que o espetáculo encontra sua força e se afirma como um estudo sobre até onde alguém pode ir para ocupar um lugar no mundo.

 

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SERVIÇO:

O Talentoso Ripley

Local: Sede Cia dos Atores

Rua Manuel Carneiro, 12 - Santa Teresa - Rio de Janeiro, RJ

Temporada: de 05 a 14 de junho

Sessões: sextas, sábados e domingos, às 19h

Valor: R$80 (inteira) e R$40 (meia entrada)

Vendas: site da Sympla e bilheteria do teatro

Duração: 105 minutos

Classificação indicativa: 18 anos

Gênero: suspense/terror

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