Dirigido pelo Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles, “Minha Terra Estrangeira” realiza ciclo de exibições gratuitas seguidas por debate em diferentes capitais do país
Diretores marcam presença em sessões que acontecem entre setembro e outubro em Porto Velho, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre.

Crédito: Divulgação/VideoFilmes
Após estrear no É Tudo Verdade 2025 e passar por diversos festivais nacionais e internacionais, “Minha Terra Estrangeira”, documentário dirigido pelo Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles, inicia neste mês um ciclo de exibições gratuitas seguidas por debate em diferentes capitais do Brasil. A primeira sessão acontece em Porto Velho, na Associação Kanindé, no próximo dia 18, às 19h30, com a presença de Louise Botkay, Gisabel Borba e Ubiratan Suruí. Nas semanas seguintes, o filme será exibido nas seguintes cidades:
- 21/09, às 20h | Rio de Janeiro (Estação Claro Rio), com a presença de Ubiratan Suruí, Louise Botkay, e João Moreira Salles, e mediação da cineasta Sandra Kogut;
- 22/09, às 20h | São Paulo (Espaço Petrobras de Cinema), Debate Folha, com a presença de Ubiratan Suruí e João Moreira Salles, e mediação do jornalista Marcos Augusto Gonçalves;
- 28/09, às 18h30 | Brasília (Cine Cultura Liberty Mall), com presença de Louise Botkay e Ubiratan Suruí, e mediação da jornalista Cecília Barroso;
- 01/10, às 19h15 | Porto Alegre (Cinemateca Paulo Amorim), com presença de Ubiratan Suruí e João Moreira Salles, e mediação do jornalista Roger Lerina.
Produzido pela VideoFilmes, “Minha Terra Estrangeira” acompanha pai — Almir Suruí, líder indígena candidato a deputado federal por Rondônia — e filha — Txai Suruí, jovem ativista ambiental — durante os 40 dias que antecederam as eleições de 2022.
Para a realização do filme, o Coletivo Lakapoy — formado por cineastas indígenas Paiter Suruí e não indígenas — se uniu à cineasta Louise Botkay para registrar o cotidiano de Almir Suruí, enquanto o diretor João Moreira Salles acompanhou Txai Suruí. O resultado é o encontro — e o contraste — entre duas perspectivas, que levanta questões sobre quem representa quem e, crucialmente, sobre qual noção de tempo a cronologia da história deve respeitar: a indígena ou a branca?
“Minha Terra Estrangeira” já foi exibido em importantes festivais. Após estreia no É Tudo Verdade 2025, participou também do IDFA - International Documentary Film Festival Amsterdam; Hot Docs – Festival Internacional de Documentários, no Canadá; Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana, em Cuba; Big Sky Documentary Film Festival, nos EUA; Santiago Festival Internacional de Cine, no Chile; Festival do Rio; Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, em Goiás; Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte; Mostra Ecofalante de Cinema, em São Paulo; Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul; e integrou ainda as mostras Brazil on Film do BFI, no Reino Unido e na COP 30 – Mostra Amazônia, em Belém.
SINOPSE
Para muitos brasileiros, as eleições de 2022 representaram a escolha entre a democracia e o autoritarismo. Para os povos indígenas da Amazônia, significaram mais que isso. A floresta, lar de todos eles, estava sob ataque do governo, de modo que a reeleição punha em questão a possibilidade de haver futuro. O filme acompanha um pai e uma filha indígenas durante os quarenta dias que antecederam o sufrágio.
FICHA TÉCNICA
Direção Coletivo Lakapoy
Ubiratan Gamalodtaba Suruí
Xener Paiter Suruí
Christyann Ritse
Gisabel Borba Leite
Louise Botkay
João Moreira Salles
Montagem Laís Lifschitz
Eduardo Escorel
João Moreira Salles
Direção de Fotografia Louise Botkay - A História do Pai
João Faissal - A História da Filha
Som Direto Chico Bororo - A História do Pai
Daniel Martins - A História da Filha
Francisco Latorre - A História da Filha
Música Original Pedro Leal David
Edição de Som e Mixagem Denilson Campos | Solo Audio Estúdio
Animação Lívia Serri Francoio
Design Gráfico Claudia Warrak
Produtores Executivos Txai Suruí
Camila Leal Ferreira
Gabriel Uchida
Produzido por Maria Carlota Bruno
João Moreira Salles
com Txai Suruí e Almir Suruí
Ubiratan Suruí | Coletivo Lakapoy | Direção
Indígena Paiter Suruí da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia. Tornou-se o primeiro fotógrafo profissional de seu povo e é um dos criadores do Coletivo Lakapoy. O coletivo busca resgatar e preservar os conhecimentos ancestrais e culturais do povo Paiter Suruí, além de registrar os movimentos de resistência dos povos indígenas por meio do audiovisual.
Xener Paiter Suruí | Coletivo Lakapoy | Direção
Comunicador indigena na associação Metareila do povo Paiter Suruí desde 2008, um dos fundadores do Coletivo Lakapoy, webdesign, produtor. Bacharel em engenharia ambiental e atualmente coordenador de turismo, fundador da agência de turismo indígena Paiter Suruí.
Christyann Ritse | Coletivo Lakapoy | Direção
Fotógrafo, produtor e animador. Com ampla trajetória no audiovisual, trabalhou em documentários, curtas e longas-metragens em diversas regiões da América Latina. Membro do Coletivo Lakapoy desde sua fundação. Mediou o projeto Inventar com a Diferença – Cinema, Educação e Direitos Humanos (UFF, 2014) em escolas públicas de Porto Velho/RO. Em 2016, recebeu menção honrosa na 13ª FestCineAmazônia por dirigir filmes das oficinas Animando Amazônia.
Gisabel Borba Leite | Coletivo Lakapoy | Direção
Produtora, animadora e artista plástica, membro do Coletivo Lakapoy, e atualmente cursa Bacharelado em Artes Visuais na Uninter. Representando a Amazônia, ela transita entre o audiovisual e as artes plásticas, explorando materiais não convencionais e técnicas experimentais. Sua pesquisa une cinema experimental, animação, roteiro e design de personagens para criar narrativas visuais autênticas e expressivas.
Louise Botkay | Direção
Louise Botkay, artista visual e cineasta. Formou-se em direção de fotografia pela École Nationale Supérieure des Métiers de l'Image et du Son, La Fémis, em 2006. Realiza fotos e filmes usando câmeras de telefone celular, de vídeo e filmes em super¬8, 16 e 35 milímetros, revelados artesanalmente pela própria artista. Seus filmes foram realizados em países como Haiti, Congo, Níger, Chade, Holanda, França e Brasil, e abordam um olhar para a fusão cultural no contexto pós-colonial. Seu filme VertièresI II III foi eleito um dos dez melhores filmes de 2015 pela revista Artforum na seleção da curadora e teórica Nicole Brenez. Teve sessões retrospectivas pelo festival internacional de Oberhausen 2018, festival Semana dos Realizadores 2016, e festival Cachoeira doc 2016. Teve trabalhos selecionados e premiados em festivais e exposições como no Tokyo Photographic Art Museum, Yerba Buena Center for the Arts, Museu de Arte Moderna RJ, Videobrasil, festival int. de Oberhausen, Fid de Marseille, Rencontres Paris Berlin, Festival Semana, Mostra de Tiradentes, Festival Int. Kinofirum, Festival Cachoeira doc, Janela Int. de Recife, CurtaCinema entre outros. Vive no Rio de Janeiro.
João Moreira Salles
João Moreira Salles é documentarista brasileiro e cofundador da VideoFilmes, produtora independente, criada em parceria com seu irmão, Walter Salles, em 1987. Moreira Salles dirigiu filmes aclamados como “Notícias de uma Guerra Particular” (1999), “Entreatos” (2004), “Santiago” (2007) e “No Intenso Agora” (2017). A partir de 1999, produziu todos os filmes de Eduardo Coutinho, consolidando seu legado como uma figura-chave no cinema documental brasileiro. Em 2006, fundou a Revista Piauí.
Seus documentários foram apresentados em festivais de prestígio, incluindo o Festival Internacional de Cinema de Berlim, DocLisboa, IDFA, Festival de Cinema de Tribeca, BAFICI e É Tudo Verdade. Seus filmes receberam diversos prêmios, como o de Melhor Documentário, no Cinéma du Réel, Havana e Miami Film Festival, bem como duas indicações ao Emmy.
Em 2019, João passou seis meses documentando a Amazônia, o que resultou em uma série de artigos longos publicados entre 2020 e 2021, lançando luz sobre a ocupação da floresta tropical. Mais recentemente, publicou “Arrabalde”, sobre seu período na Amazônia.

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